quinta-feira, 12 de abril de 2012
Para educar os sentidos
Há tempos não fazia como hoje, ao chupar uma manga e lambuzar a cara.
Sem facas fragmentadoras, sem pudor, sujando a roupa.
Como dá prazer uma manga! Tão erótica experiência!
Lembrei da infância. Do tempo em que não se compravam as mangas.
Do tempo em que o tempo deixava de ser tempo quando chupava da fruta madura no pé.
Foi irresistível ver as outras duas mangas que estavam no cesto.
Fui lá me envolver com elas.
terça-feira, 27 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O mar chegava aqui
Lambi a pedra do sal num samba de roda de um porto qualquer
O sal ressecou minha língua
A língua falou cervejas em outra língua
A boca bebeu besteiras em outros copos
Um surdo ouviu meu corpo que ouvia o surdo
Queriam que eu fosse mudo
Língua obsoleta Fumaça escusada Vida temperada Contrária a insulsa Coração que pulsa
O sal ressecou minha língua
A língua falou cervejas em outra língua
A boca bebeu besteiras em outros copos
Um surdo ouviu meu corpo que ouvia o surdo
Queriam que eu fosse mudo
Língua obsoleta Fumaça escusada Vida temperada Contrária a insulsa Coração que pulsa
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Roupa íntima ou Que nojo eu sinto de você
Para Gertrude
Imagine uma camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine que essa camisola foi usada na primeira noite de amor de um jovem casal.
Imagine que esse casal teve um filho.
Imagine a camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine que o filho cresceu.
Imagine uma caixa de recordações.
Imagine a morte de um pai.
Imagine dor.
Imagine suspeita de traição.
Imagine um filho.
Imagine uma mãe.
Imagine um quarto, uma briga.
Imagine a camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine uma mancha sobre o tecido branco.
Imagine a mancha crescendo, espalhando, escurecendo.
Imagine fogo.
Imagine grito.
E beijo
E tapa
E sufocamento.
Imagine uma camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine uma camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine que essa camisola foi usada na primeira noite de amor de um jovem casal.
Imagine que esse casal teve um filho.
Imagine a camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine que o filho cresceu.
Imagine uma caixa de recordações.
Imagine a morte de um pai.
Imagine dor.
Imagine suspeita de traição.
Imagine um filho.
Imagine uma mãe.
Imagine um quarto, uma briga.
Imagine a camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Imagine uma mancha sobre o tecido branco.
Imagine a mancha crescendo, espalhando, escurecendo.
Imagine fogo.
Imagine grito.
E beijo
E tapa
E sufocamento.
Imagine uma camisola de seda, branca, com detalhes de renda e fios de ouro.
Sobre aquilo que te falei
Eu quero a superfície enquanto estou no barco
E aquela água é fria, densa, escura
...............¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨.................¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨................
Depois que os ventos soprarem as velas
E o pedaço de árvores rasgar as ondas
Encontrarei águas onde eu queira
A
F
U
N
D
A
R
.
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....................................................................................S2
E aquela água é fria, densa, escura
...............¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨.................¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨................
Depois que os ventos soprarem as velas
E o pedaço de árvores rasgar as ondas
Encontrarei águas onde eu queira
A
F
U
N
D
A
R
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
Lágrima
A lágrima não é dor. Acalanto
Se choro sinto prazer em meu pranto
E ela macia percorre meu rosto
Fazendo carinho
Deixando seu gosto
Salgada e tão doce
Terra seca
Quem me dera eu fosse
Para dela receber a força
Precisa
Que faz nascer uma flor
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